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quarta-feira, 24 de junho de 2026

💓

Este fim de semana vivemos o verdadeiro espírito de equipa.

O Santy sempre gostou de futebol e, como tal, inscrevi-o num clube de futebol. Não ficou na equipa principal do escalão dele, mas na de formação.

Já tinha jogado noutras equipas e o ano passado esteve parado porque não consegui conciliar horários. Aliás, no ano passado foi experimentar esta mesma equipa onde está e, bolas, inacreditável... o treino correu tão mal! Esteve o jogo todo com um miúdo em cima dele, mas quando digo em cima é literalmente em cima, ombro com ombro, sem lhe dar espaço para nada. E #%$ão do treinador não disse nada...😠

O Santy veio tão desiludido que não quis mais futebol. Ainda foi experimentar o futsal na escola, mas também não veio de lá satisfeito.

Disse que eram todos uns "fuços"! há toda uma panóplia de termos do futebol que estou a começar a aprender 😂) e que não passavam a bola!

Bem, no início desta época voltou a pedir para ir experimentar. E queria a mesma equipa onde foi fazer o treino do ano passado, porque conhecia lá outros meninos.

Disse-lhe: "Ok, vamos Santiago, mas tens de fazer o corpo rijo. Não podes ser mole. O futebol é para os duros!"😂

E lá foi ele. 

Ficou. 

E ainda bem que ficou.

A pouco e pouco foi-se integrando. E, no mesmo percurso, nós pais também fomos fazendo a nossa integração com os outros pais. Conhecemos pessoas. Conhecemos mais famílias, por assim dizer.

E este fim de semana, no primeiro torneio a sério, isso confirmou-se.

Torneio a sério porque foram três dias intensivos. Um torneio em que praticamente só os víamos em campo e durante alguns minutos entre jogos. Ele foi de autocarro com a equipa. Ficaram num hotel só para eles. Nós só pudemos ir no segundo dia. 

E foi aí que percebi que, às vezes, o futebol ensina muito mais do que aquilo que acontece dentro das quatro linhas.

Aos pais deste clube, um agradecimento tão especial por nos fazerem sentir integrados neste verdadeiro espírito de equipa. Porque não gritávamos apenas pelos nossos filhos. Gritávamos pelos meninos dos outros escalões do nosso clube. Vibrámos com as conquistas de todos... e com as derrotas também! 😏

E até chegámos a gritar por equipas adversárias quando faziam uma boa jogada ou mereciam um aplauso!

Eu, que não gosto nada de confusões, tinha aquela imagem dos pais a gritarem coisas desnecessárias da bancada, aos próprios filhos e aos filhos dos outros. Mas este fim de semana não foi nada disso.

E para mim, foi isso que fez a diferença.

Vi fair play. Vi camaradagem. Vi entreajuda. Vi pais a torcerem juntos, independentemente da idade dos filhos ou dos resultados do marcador.

Apesar de ter havido algumas situações menos justas por causa das regras do torneio (tema para outro post, quem sabe!), o que fica é isto:

Não ganhámos a taça. Mas ganhámos qualquer coisa muito mais importante! 💓

O Santy ganhou confiança, ganhou amigos e ganhou o seu lugar na equipa.

E nós ganhámos uma espécie de família futebolística que não estávamos à espera de encontrar.

Não ganhamos a taça, Mas ganhamos o prémio de melhor claque! E sem dúvida que esta família do futebol o mereceu por todas as razões!

Porque fomos os que gritámos mais alto!

Porque fomos os que mostramos mais espírito de equipa!

Porque fomos os que nos divertimos mais!

Porque fomos todos uma família!

Porque este fim de semana  o clube não trouxe vitórias, mas trouxe uma coisa muito mais importante: o espirito de união e a vontade de ver os nossos filhos felizes!

💓

quinta-feira, 19 de março de 2026



Juro. Isto começou em modo slow e de repente alguém carregou no botão “fast forward” e eu nem dei por isso.

Dois meses e meio e já aconteceu de tudo:
anos da gaiata, mudança de casa (tema sensível… fica para outro dia 😬) e… tchanan!… anos dos twins.

12 anos. DOZE.
Como assim? Quando? Em que momento é que isto aconteceu?

O último ano em que ainda são oficialmente crianças.
Porque, ao que parece, para o ano entram naquele mundo misterioso chamado… adolescência.

E eu?
Eu não estou psicologicamente preparada.
Zero. Nadinha.

Vêm aí:
👉 a puberdade;
👉 as crises existenciais;
👉 os amigos (tema delicado…);
👉 as respostas atravessadas (já estamos a aquecer, confesso 😅);
👉 e tudo o resto que faz parte desta fase “maravilhosa”!

Basicamente… sobrevivência em nível avançado.

Mas a verdade é que estes 12 anos foram cheios.
Cheios de barulho, de caos, de gargalhadas, de discussões, de abraços e de muito amor.

A minha vida sem estes dois?
Nem sei… mas sei que não era, de certeza, tão intensa.

São exigentes? Muito.
Põem-me os nervos em franja? Frequentemente.
Mas também me fazem rir à gargalhada como mais ninguém.

São os meus companheiros de todos os dias.
Os meus distribuidores oficiais de beijinhos e abraços.

E no meio deste turbilhão todo, só quero uma coisa:
É que sejam felizes. Muito felizes.

Porque o resto… vamos gerindo. (ou tentando 🤷‍♀️)

💓


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Janeiro é aquele mês que tem 74 dias e 12 segundas-feiras... parece interminável!

O mês das resoluções, das dietas, das promessas e do frio que parece não ter fim.

Mas este ano?
Janeiro passou-me num ápice.

Talvez porque cá em casa ele começa sempre em modo celebração.
Abre logo com fogo-de-artifício emocional: a cá de casa princesa faz anos.

E este ano não foram “uns aninhos”.
Foram 10.

Dois dígitos.
Assim, de repente.

Não sei bem o que pensar.
Dez anos de uma menina doce, carinhosa, meiga, preocupada com tudo e com todos.
Inteligente. Observadora. Sensível.

Mas também… com pelo na venta, que não deixa que lhe ponham a pata em cima.
E ainda bem.

(Embora com os irmãos a teoria da diplomacia às vezes vá de férias.)

Dez anos de colo.
De perguntas difíceis.
De gargalhadas.
De birras (poucas).
De aprendizagens — dela e minhas.

E talvez por isso para mim janeiro tenha passado a correr.
Porque quando o tempo se mede em crescimento de filhos, ele nunca é longo.
Ele voa.

Dizem que janeiro é interminável.
Para mim, foi apenas o mês em que percebi que a minha bebé já não é bebé.

E isso… isso sim, deixa-me sem palavras.

💓


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Desabafo

Há dias fui a um evento promovido pelo meu antigo local de trabalho.
E confesso: fui com o peito cheio de orgulho, porque os meus filhos foram distinguidos pela sua participação no Desporto Escolar. Foi um daqueles momentos em que o coração cresce só de os ver subir ao palco! 🤭

Mas não, hoje não venho falar deles.
Venho falar de mim. Do saudosismo que me bateu forte (sem pedir licença e quase sem aviso) e das personagens que passam pela minha vida — e, provavelmente, pela de todos nós!

No evento reencontrei colegas com quem convivi durante muitos anos. Colegas com quem ri, com quem chorei, com quem partilhei dias bons e dias menos bons.
E bastou vê-los para tudo regressar à memória: as conversas, os convívios, as saídas, as personagens daquele sítio (porque havia personagens, e das boas!), as aventuras e as pequenas loucuras do quotidiano.

Curiosamente, os momentos menos bons… puff… desapareceram todos, como se o cérebro tivesse decidido fazer ali uma edição especial “versão deluxe”.

Recebi abraços — e que bem que me souberam!
Abraços de pessoas que nem imaginam o quanto aprendi, ao longo dos anos, a gostar de abraços.
Vieram sorrisos, vieram memórias e, claro… vieram lágrimas também.

Mas, como em todas as histórias da minha vida, também aqui houve uma vírgula.
Um “mas”.
Um “contudo”.
Um “porém” daqueles bem sonoros.

Ali, no meio do meu momento nostálgico, tive a brilhante ideia (sim, ironia) de ir cumprimentar uma das personagens lá do sítio e dirigi-me a ela dizendo:
“Olá, está tudo bem contigo?”

E o que recebo de volta?
Um “Olá!”, porque a boa educação manda… seguido, imediatamente, de um:
“Então estás a trabalhar onde?”

Na minha simplicidade habitual, sem floreados, respondi onde estou a trabalhar, mas sem dar grande importância ao assunto...

E de lá vem um “Ehm”.
Assim, seco.
Curto.
Daqueles “Ehm” que querem dizer:
“Coitadinha… isso não é nada de especial.”

Ainda tentei remendar: “Mas estou a exercer a minha área!”
E aí então recebo um “Ah!” 😂

Sabem aquele “Ah!” que não acrescenta nada?
Aquele “Ah!” que dispensa legenda porque já vem carregado de veneno?

Pensei:
Mas esta personagem, que nunca saiu da sua zona de conforto, continua achar-se o maior lá da aldeia!

Acredito que seja um grande senhor ali na zona, literalmente, conhecesem vocês a personagem! Sem dúvida que é certamente um senhor, em todos os sentidos, até porque conheço o trabalho dele. Mas desde que o conheci, também sempre notei o tom de algumas expressões! Ora bolas… isso não lhe dá o direito de diminuir os outros com um “Ehm” seco!

Tive vontade de lhe dizer tanta coisa… e tenho quase a certeza de que ficaria admirado. O meu estatuto de “Ehm” subiria talvez uns degraus aos olhos dele. 

Deu-me, sinceramente, vontade de rir, porque o tom da personagem continua o mesmo!
E, pela primeira vez, senti os meus neurónios e o meu coração a trabalharem em perfeita sintonia e a dizerem-me:
“Não te dês ao trabalho. Não vale a pena. Segue.”

Virei costas, fui falar com quem realmente me dizia alguma coisa naquela sala e voltei a sentir o aconchego do que vale a pena guardar. Voltei a receber abraços!

É incrível como há gente que ainda acha que o valor de uma pessoa se mede pelo sítio onde se trabalha  e consegue reduzir tudo isso a um “Ehm”!
Para essas pessoas digo apenas:
“Ehm… pobres coitados! Vêm o mundo tão pequenino… e ele é tão grande!”

E sim, acho mesmo que há ali um problema de superioridade! 😏
O preconceito é um sentimento tão mesquinho.

Trouxe comigo apenas o que interessa: as boas memórias, os abraços inesperados e a certeza de que estou exatamente onde devo estar, embora exista em mim algum saudosismo do que ali vivi!

Ele há personagens!

😏



terça-feira, 25 de novembro de 2025

 São 47.

Quarenta e sete anos de casados.
Desde aquele 25 de novembro de 1978 que marcou o início de uma vida juntos.

Quase meio século de uma caminhada lado a lado. Alguns leves, outros mais pesados, outros ainda trocados, como acontece a qualquer casal que decide caminhar junto. Mas sempre passos vossos, únicos, teimosos.

É uma vida.
Uma vida com dias que brilharam e outros que pesaram, com risos fáceis e também silêncios cheios de cansaço, com conquistas, sustos, e aquela rotina que, no fundo, também é uma forma de amor.

Construíram tanto.
Tanto que às vezes nem sei se têm plena noção da imensidão que ergueram: uma casa que ainda hoje é porto seguro, histórias que ainda hoje se repetem à mesa, manias que já se tornaram património de família, e um modo muito próprio de fazer do imperfeito o suficiente. Muitas vezes, até o ideal.

Não são perfeitos, como ninguém é.
Mas, para mim… são.
Talvez porque os vejo com os olhos de filha, talvez porque a vida me ensinou que a verdadeira perfeição mora justamente nas falhas, nos remendos, no levantarmo-nos outra vez.

E levantaram-se tantas vezes.
E continuaram.
E continuam.

Por isso, hoje, quando digo “São 47”, não é apenas uma conta.
É um orgulho.
É uma homenagem.
É um abraço à história, à coragem de escolherem permanecer um lado do outro, mesmo nos dias difíceis.

Parabéns, Mãe e Pai.
Que venham mais anos, mais histórias, mais gargalhadas inesperadas e que continuem a ser porto seguro, o meu e dos vossos netos.

💓




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