O Santiago sempre adorou puzzles. Desde pequenino. Começámos por aqueles bem simples, ainda de bebé, em que tinha de juntar a imagem à palavra. Depois vieram os puzzles de 25 peças, 50, 100, 250...
O de 250 peças fez em... uma hora. Tinha cinco anos! Acho que levei eu mais tempo a escolher a caixa do puzzle do que ele a montá-lo!
No Natal seguinte, a nossa querida Lena decidiu elevar a fasquia (e testar a nossa sanidade mental): ofereceu-lhe um puzzle de 2000 peças!! Com animais, claro, que ele adora.
Lá montámos a borda toda com a ajuda do Santi. Foi giro... durante uns 40 minutos.
Depois... bom, digamos que o entusiasmo foi ficando a meio caminho entre os TPC, a escola e a falta de tempo. E o puzzle ficou abandonado.
A Lena, determinada, até pediu a um amigo para fazer uma placa com rebordos próprios para montarmos o puzzle com estilo.
Durante um ano e meio, o puzzle viajou mais que muitos de nós: debaixo de camas, pelo sótão, atrás de sofás... sempre incompleto, sempre à espera.
Até que há coisa de um ano, voltou à mesa da sala. De sábado em sábado, eu e a Lena lá íamos dando umas peças. Aquilo parecia um plano secreto de missão militar.
Quando às vezes surgia uma imagem, surgia o Santi, quando não havia desenhos animados, claro! Se tivesse macacos no desenho do puzzle, acho que ele o tinha feito de uma enfiada!
O pai também aparecia de vez em quando, qual Sherlock Holmes das peças perdidas. E a Baby C... ai a Baby C! A batoteira-mor. Tirava peças que já estavam colocadas e, com ar triunfante, dizia: “Consegui pôr uma! Encontrei!!!”... Sim, claro. Viu onde estava, tirou, voltou a pôr. Técnica infalível.
Entre risos, batotas e alguma teimosia, o puzzle lá foi avançando.
Até que, antes da Páscoa, faltavam umas 100 peças, deu-me um ataque de produtividade e quase o terminei sozinha. Quase. Deixei só algumas para acabarmos todos juntos com a nossa querida Lena e fingirmos que foi um esforço de equipa.
E foi. Antes da Páscoa deste ano, o puzzle foi finalmente... finito!!
Claro que voltou a andar às voltas pela casa — qual troféu sem pedestal — até que resolvi: isto vai ser emoldurado!
Eu própria tratei do assunto: medi, comprei uma moldura, pesquisei técnicas... Descobri que existe cola específica para puzzles. Não é cola branca, não senhor. É cola “de gente séria que faz puzzles grandes”.
Pincelei camadas generosas por cima do desenho, deixei secar, virei cuidadosamente, encaixei na moldura, fechei o passe-partout... e voilá!
Só falta uma coisa: decidir onde pendurá-lo.
Estamos em negociações. Já houve votos, discussões, e uma proposta para usar a moldura como tabuleiro de servir bolos, mas essa foi rejeitada! Brincadeirinha!
Mas uma coisa é certa: este puzzle vale mais pelas memórias do que pelas peças.
E talvez... talvez o próximo seja só de 500!
💓

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