Personagens que passam pela minha vida e, se calhar, pela de todos!!!

Desabafo

Há dias fui a um evento promovido pelo meu antigo local de trabalho.
E confesso: fui com o peito cheio de orgulho, porque os meus filhos foram distinguidos pela sua participação no Desporto Escolar. Foi um daqueles momentos em que o coração cresce só de os ver subir ao palco! 🤭

Mas não, hoje não venho falar deles.
Venho falar de mim. Do saudosismo que me bateu forte (sem pedir licença e quase sem aviso) e das personagens que passam pela minha vida — e, provavelmente, pela de todos nós!

No evento reencontrei colegas com quem convivi durante muitos anos. Colegas com quem ri, com quem chorei, com quem partilhei dias bons e dias menos bons.
E bastou vê-los para tudo regressar à memória: as conversas, os convívios, as saídas, as personagens daquele sítio (porque havia personagens, e das boas!), as aventuras e as pequenas loucuras do quotidiano.

Curiosamente, os momentos menos bons… puff… desapareceram todos, como se o cérebro tivesse decidido fazer ali uma edição especial “versão deluxe”.

Recebi abraços — e que bem que me souberam!
Abraços de pessoas que nem imaginam o quanto aprendi, ao longo dos anos, a gostar de abraços.
Vieram sorrisos, vieram memórias e, claro… vieram lágrimas também.

Mas, como em todas as histórias da minha vida, também aqui houve uma vírgula.
Um “mas”.
Um “contudo”.
Um “porém” daqueles bem sonoros.

Ali, no meio do meu momento nostálgico, tive a brilhante ideia (sim, ironia) de ir cumprimentar uma das personagens lá do sítio e dirigi-me a ela dizendo:
“Olá, está tudo bem contigo?”

E o que recebo de volta?
Um “Olá!”, porque a boa educação manda… seguido, imediatamente, de um:
“Então estás a trabalhar onde?”

Na minha simplicidade habitual, sem floreados, respondi onde estou a trabalhar, mas sem dar grande importância ao assunto...

E de lá vem um “Ehm”.
Assim, seco.
Curto.
Daqueles “Ehm” que querem dizer:
“Coitadinha… isso não é nada de especial.”

Ainda tentei remendar: “Mas estou a exercer a minha área!”
E aí então recebo um “Ah!” 😂

Sabem aquele “Ah!” que não acrescenta nada?
Aquele “Ah!” que dispensa legenda porque já vem carregado de veneno?

Pensei:
Mas esta personagem, que nunca saiu da sua zona de conforto, continua achar-se o maior lá da aldeia!

Acredito que seja um grande senhor ali na zona, literalmente, conhecesem vocês a personagem! Sem dúvida que é certamente um senhor, em todos os sentidos, até porque conheço o trabalho dele. Mas desde que o conheci, também sempre notei o tom de algumas expressões! Ora bolas… isso não lhe dá o direito de diminuir os outros com um “Ehm” seco!

Tive vontade de lhe dizer tanta coisa… e tenho quase a certeza de que ficaria admirado. O meu estatuto de “Ehm” subiria talvez uns degraus aos olhos dele. 

Deu-me, sinceramente, vontade de rir, porque o tom da personagem continua o mesmo!
E, pela primeira vez, senti os meus neurónios e o meu coração a trabalharem em perfeita sintonia e a dizerem-me:
“Não te dês ao trabalho. Não vale a pena. Segue.”

Virei costas, fui falar com quem realmente me dizia alguma coisa naquela sala e voltei a sentir o aconchego do que vale a pena guardar. Voltei a receber abraços!

É incrível como há gente que ainda acha que o valor de uma pessoa se mede pelo sítio onde se trabalha  e consegue reduzir tudo isso a um “Ehm”!
Para essas pessoas digo apenas:
“Ehm… pobres coitados! Vêm o mundo tão pequenino… e ele é tão grande!”

E sim, acho mesmo que há ali um problema de superioridade! 😏
O preconceito é um sentimento tão mesquinho.

Trouxe comigo apenas o que interessa: as boas memórias, os abraços inesperados e a certeza de que estou exatamente onde devo estar, embora exista em mim algum saudosismo do que ali vivi!

Ele há personagens!

😏



2 comentários

  1. Sónia e foi tão bom ver-te!!!! Um grande, grande beijinho e muitas felicidades!! ❤️ E desculpa, nem perguntei onde estavas a trabalhar 😂

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  2. Oh minha querida Margarida foi tão bom receber o teu abraço! Saudades da nossa risota naquele gabinete mesmo à entrada! Um beijinho grande e temos que combinar um cafezinho. Fazes parte do grupo que está no meu coração!

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