terça-feira, 25 de novembro de 2025
São 47.
Quarenta e sete anos de casados.
Desde aquele 25 de novembro de 1978 que marcou o início de uma vida juntos.
Quase meio século de uma caminhada lado a lado. Alguns leves, outros mais pesados, outros ainda trocados, como acontece a qualquer casal que decide caminhar junto. Mas sempre passos vossos, únicos, teimosos.
É uma vida.
Uma vida com dias que brilharam e outros que pesaram, com risos fáceis e também silêncios cheios de cansaço, com conquistas, sustos, e aquela rotina que, no fundo, também é uma forma de amor.
Construíram tanto.
Tanto que às vezes nem sei se têm plena noção da imensidão que ergueram: uma casa que ainda hoje é porto seguro, histórias que ainda hoje se repetem à mesa, manias que já se tornaram património de família, e um modo muito próprio de fazer do imperfeito o suficiente. Muitas vezes, até o ideal.
Não são perfeitos, como ninguém é.
Mas, para mim… são.
Talvez porque os vejo com os olhos de filha, talvez porque a vida me ensinou que a verdadeira perfeição mora justamente nas falhas, nos remendos, no levantarmo-nos outra vez.
E levantaram-se tantas vezes.
E continuaram.
E continuam.
Por isso, hoje, quando digo “São 47”, não é apenas uma conta.
É um orgulho.
É uma homenagem.
É um abraço à história, à coragem de escolherem permanecer um lado do outro, mesmo nos dias difíceis.
Parabéns, Mãe e Pai.
Que venham mais anos, mais histórias, mais gargalhadas inesperadas e que continuem a ser porto seguro, o meu e dos vossos netos.
💓
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
Desde que os miúdos entraram para a escola, que todos os anos vivo a verdadeira saga Missão Impossível - Gerir horários!
E gerir horários este ano tem sido um verdadeiro quebra-cabeças!
Isto, porque os gémeos este ano ficaram com o horário escolar preenchido à tarde pelo que tive que repensar toda a minha rotina diária e semanal... Posso dizer que senti o meu cérebro a fazer malabarismos!
Para complicar, os gémeos decidiram que precisavam de atividades extra, porque claro, os dias ainda não estavam suficientemente cheios! 😅
O Santy quis voltar para o futebol. Foi experimentar… e até correu bem! O que significou tratar de inscrições, exames médicos, adquirir equipamentos de treino de jogo, alternativo, fato treino de saída, mais umas chuteiras novas que as anteriores já não serviam... e uns euros a menos na carteira!
Ufa, um check ✅
O Salva experimentou o ano passado os patins em linha no desporto escolar e adorou, chegou inclusive a ir a torneios... Este ano decidiu ir experimentar um clube à séria de corridas de patins em linha… Ficou indeciso...
Decidimos ir experimentar o Karaté, porque o rapaz não gosta muito de desportos de grupo... Não tem jeito para a coisa... Eu simplesmente aceito, que dói menos!
Graças a todos os santos à segunda tentativa lá se decidiu! Adorou o estilo ninja! E lá tive de ir comprar mais uma fatiota e umas luvas... tratar de inscrições e encaixar horários e ficar com menos euros carteira!
Segundo check ✅
A miúda, que pensava eu estar firme e segura na patinagem, achando que não era preciso fazer check a coisa nenhuma, estando a coisa resolvida... eis que... SURPRESA! Um pequeno imprevisto e lá tive de andar a pedir informações, e ir de novo experimentar, pedir horários para conseguir encaixar tudo… o circo completo! 🎪
Felizmente, manteve a modalidade! A fatiota é que teve de ser toda nova!!!
Apesar do imprevisto... Terceiro check ✅
E não páramos por aí: tentei encaixar tudo dentro dos horários da escola e do ensino artístico, porque todos frequentam Conservatórios de Música! Resultado: tive também este ano que mudar o Salvador de escola artística porque os horários não eram compativeis. Fazer pedido de transferência, enviar horários, fazer nova matrícula…
Em meados de outubro, parecia que estava a gerir uma empresa multinacional!
Finalmente estamos em novembro e só agora é que vejo a rotina da semana para este ano letivo encaminhada!
Como devemos retirar sempre algo positivo das dificuldades, posso dizer que já treinei a paciência olímpica, que tem dias que por estas bandas é escassa!
Tudo pela felicidade dos míudos!
💓
sexta-feira, 19 de setembro de 2025
As aulas começaram! 🎒
E eu aqui sem saber: fico feliz ou triste?
Por um lado, maravilha: estão entretidos, a aprender, e não andam a demolir-me a casa. Por outro lado, entro em modo gestora de operações especiais, com logística digna de um exército em missão no Afeganistão.
E quando digo logística, não falo de “ai que giro, uma lancheirinha” — não! É uma parafernália de lancheiras, mochilas e tralhas, porque decidi que eles levam almoço de casa. Resultado: o meu despertador toca às 6h, eu levanto-me ainda em estado zumbi 🧟♀️, e começo o banquete diário: lanche da manhã, almoço e lanche da tarde… vezes quatro (gémeos + Baby C + Pai). Sim, até o Pai vai no pacote.
Claro que isto implica que, na noite anterior, eu esteja de serviço ao inventário: “Tenho cenas suficientes para enfiar na marmita de amanhã ou vamos ter que improvisar com pão seco e maçãs enrugadas?”
Podia optar pelos almoços da escola, mas o ano passado vinham de lá com relatos de horror gastronómico: peixe cru, batata a boiar em água… basicamente, pratos que fariam o Gordon Ramsay gritar “It’s raw!” 🤯.
O ATL também serve almoço, mas multiplicar por dois = multiplicar a mensalidade. Obrigada, mas não obrigada.
Já a Baby C é VIP: só leva os lanches e almoça confortavelmente em casa dos avós, que moram ao lado da escola. Uma sorte!
De manhã, normalmente é o Pai que os despacha, às vezes sou eu… depende de quem ganha ao jogo do prego de ferro da organização matinal.
À tarde, entro em modo Uber: ir buscar uns, depois a outra, depois atividades, depois dividir-me por três (se ao menos desse para me clonar!). Felizmente existe também o “Uber privado do Avô”, sempre pronto para qualquer SOS.
Com atividades e afins, raramente chegamos a casa antes das 20h/20h30. A partir daí é o sprint final: banhos, jantar, lavar dentes, pijamas… e só pelas 23h é que eles caem na cama. Eles, porque eu ainda tenho uma cozinha para arrumar e um cérebro que implora por pelo menos 6 horas de sono.
E, claro, depois de jantar, pedir-lhes para fazer alguma coisa é drama garantido. Do caminho entre a cozinha e os quartos conseguem lembrar-se de 137 tarefas urgentes… menos vestir o pijama e lavar os dentes. 🙃
É aqui que entra o “polícia de serviço” para impor a lei e a ordem na palhaçada generalizada. 🚨
💗
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| 6.º e 4.º ano!! |
terça-feira, 2 de setembro de 2025
Pois bem, este foi o ano!
Saímos de manhã - não cedo que o pessoal nas férias deita-se tarde e acorda tarde - em direção às serras.
Tínhamos falado com uns amigos que nos recomendaram a visita ao Taslanal, daí o nosso destino.
Em pleno coração da Serra da Lousã, o Talasnal recebeu-nos com a sua serenidade rústica: as casas de xisto, as ruelas estreitas, o verde que abraçava ainda todo o cenário envolvente, para um dia de passeio perfeito!
Ou quase, não fossem as guerrinhas dos Três e o mau-humor de pré-adolescente da Baby C! Entre as macacadas e traquinices dos gémeos e as descobertas da Baby C (que teimava em fazer cara de pré-adolescente em cada passo que não queria dar), tivemos de aprender a lidar com pequenas crises pelo caminho. Mas, entre risos, pequenos dramas e murmúrios da serra, encontrámos também momentos de pura felicidade e cumplicidade.
Sentamo-nos numa pequena esplanada para descansar e repor líquidos tendo em conta os 40 graus que se faziam sentir, mais precisamente no O’ Retalhinho, um espaço acolhedor onde nos foi sugerido que provássemos um pastel de castanha e amêndoa, especialidade local com receita patenteada, simplesmente deliciosa!
A visita ao Talasnal tornou-se mais do que um simples dia de passeio a uma aldeia bonita: tornou-se um dia de refúgio onde o tempo abrandou o que nos permitiu simplesmente estar juntos, mesmo com uma pré-adolescente a testar os nossos limites. Cada riso, cada olhar e até cada pequena birra ficou-nos gravado no coração.
E confesso que visitar o Talasnal, ainda por cima antes da passagem do fogo, tornou-se ainda mais especial. Carregámos connosco uma sensação profunda de graça por termos visitado a aldeia em todo o seu esplendor e a certeza de que estes lugares devem ser cuidados, preservados e acarinhados, como quem protege uma memória preciosa.
Visitar aldeias de xisto como esta é uma forma de valorizar o património, preservar memórias e colecionar histórias para contar — com um sorriso ou uma gargalhada pelo meio.
E se já conhecem o Talasnal ou outra aldeia de xisto, que histórias engraçadas trouxeram de lá?
💗
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
Escondida entre as serras do concelho da Pampilhosa da Serra, está uma pequena aldeia que teima em resistir ao tempo, a minha aldeia do coração.
Cada vez com menos gente, cada vez mais silenciosa… Este ano, essa ausência foi notória e fez-se sentir ainda mais. Faltavam rostos, faltavam vozes, faltava aquela agitação que, noutros tempos, transformava as ruas numa espécie de carnaval serrano. E confesso que fiquei com o coração apertado e uma tristeza enorme...😔
Vêm-me à memória lembranças de quando era criança e a aldeia fervilhava de vida no mês de agosto. Carros para cima e para baixo, gargalhadas que ecoavam dia e noite dentro de gente que já partiu, mas que continua viva nas memórias de quem cá ficou.
Nos dias que antecediam a festa anual, havia sempre aqueles que vinham chamar a minha avó para fazer a filhó espichada — tinha uma técnica que ninguém conseguia igualar! Fazia as melhores filhoses da aldeia! Sempre adorei filhoses e os Três também gostam! Ainda bem que a minha mãe lhe apanhou a técnica e conseguiu até superar as da minha avó!
Por tanto gostar, a minha avó chegou mesmo a comprar uma fritadeira gigante para fazer a maior filhó espichada de sempre… acho que devia ter ficado registado no Guinness! 😅
E a água da casa dos meus avós? Um furo mágico com água fresquinha, onde muitos com os cântaros vinham buscar sem pedir licença. Era mesmo assim! Confesso que, muitas vezes, assustava-me com alguém a entrar inesperadamente, mas isso fazia parte do charme do sítio!
O meu avô, que durante anos foi presidente da junta de freguesia, era dos poucos que tinha telefone em casa. Adorava quando interrompiam o almoço ou o jantar para uma chamada urgente — nada como misturar a chanfana típica da zona com uma conversa particular ou assuntos da freguesia!
Ah, a chanfana! Também dias antes da festa, o meu pai e o meu avô iam comprar a cabra. Gostava de ir com eles só para dar um passeio pelas serras. Isto quando os meus avós já não tinham criação, porque quando tinham era o próprio do meu avô que preparava a cabra. Por estes dias, o forno a lenha dos meus avós estava sempre a trabalhar, assando caçarolas de chanfanas que iam parar a muitas mesas da aldeia. Cheirinho que nos deixava salivar durante horas!
Quando eu era pequena, o dia da festa era um frenesim. A minha mãe comprava-me sempre um vestido novo — todos se vestiam a rigor, como se fossem para uma cerimónia real! Eu gostava do vestido, mas exibi-lo na procissão era… digamos, um castigo! E os foguetes que estalavam no céu e eu ficava aterrorizada! Odiava acordar com aquele barulho que anunciava às aldeias vizinhas que a nossa terra estava em festa.
De manhã cedo, as cornetas tocavam e, pouco depois chegava a filarmónica que percorria a aldeia de casa em casa a recolher ajuda para a festa. Durante o almoço, os músicos eram convidados a sentarem-se à mesma mesa das famílias, em casas pequeninas, partilhando a chanfana da aldeia e umas boas gargalhadas, num ambiente acolhedor.
À tarde, a missa e a procissão em honra de Nossa Senhora das Neves, a nossa padroeira, era um momento grandioso. Três andores percorriam a aldeia, acompanhados por centenas de pessoas com promessas a cumprir. Um momento de fé e devoção mas também de encontros e reencontros.
Já à noite, durante anos, o mesmo duo musical animava a aldeia. Deixaram o legado em descendentes da aldeia que já tinham o gosto musical das concertinas, incutido pelos seus avós.
Outros, também tomaram o gosto pela concertina e hoje é graças a eles que por vezes ainda ecoa pelas ruas o som de uma concertina que alegra a aldeia.
E a tradição da alvorada? Os mais resistentes da noite iam de casa em casa despertar quem ainda dormia. Dizem que, em tempos, até se entrava pelos telhados. Imaginem o susto de acordar com alguém a espreitar do teto! 😂
Anos atrás, poucos, tentou-se recuperar a tradição, quando ainda fazia sentido para muitos vir à festa da aldeia, passar por esta altura uma temporada de férias!
Mas a vida corre e tudo muda. Fomos perdendo pessoas da maneira mais triste, aquela que é para sempre... Ficamos tristes, com mágoas grandes, feridas abertas...
Hoje somos um pequeno grupo de pessoas que se veem pela altura da Páscoa, e pela altura da festa anual, a qual vamos tentando manter com muito esforço... Somos quase sempre os mesmos...
Este ano foi sem dúvida visível os que nutrem amor pelas raízes e que honram as pessoas que perdemos, simplesmente estando presentes, apesar da dor.
Temos sido poucos, é verdade. A aldeia foi-se esvaziando, ficando cada vez mais dependente dos regressos sazonais.
Este ano fomos poucos, sim. Mas fizemos a festa. Porque a festa é mais do que música e foguetes. É a ligação à padroeira, é a partilha entre vizinhos e família, é a celebração da própria aldeia, é o convívio.
E enquanto houver quem acenda uma vela, quem traga um andor, quem toque uma concertina, quem vista o melhor traje para honrar a tradição, a aldeia continuará a ter vida. Pouca, talvez, mas genuína.
E no fim chego à conclusão que até de ouvir os foguetes, sinto falta!
💗



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